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09 setembro 2014

Introdução Alimentar: Motivos para esperar até os 06 meses

Estamos numa semana marcante: Carol está prestes a completar 06 meses!
E junto com essa data tão especial, daremos início às comilanças!

Realmente, é uma imagem meramente ilustrativa e está longe
da realidade, que é mais lambuzada, hehe!


Minha escolha pela introdução alimentar (IA) aos 06 meses, na verdade gera muitas caras de espanto e dúvidas. Sou constantemente questionada por isso,tem quem pense que o bebê tem fome ao ver a gente comer, que ele sabe que é comida, que da dó, que não faz mal começar antes, que Fulano, Sicrano e Beltrano já tomavam caldinho de feijão aos 03 meses e deu tudo certo!

Bem, é verdade que a Carol demonstra muita vontade quando vê a gente comer. Mas eu entendo isso como curiosidade, naturalmente, ela quer sim experimentar a comida, assim como qualquer coisa. Ela quer colocar tudo na boca, é assim que os bebês aprendem! Pra mim não significa fome, e muito menos que ela saiba que é comida. Até porque, falando de fome, ela sabe o que precisa fazer para pedir o único alimento que ela conhece, seu mamá.

Mas acho que já aprendi a lidar com a reprovação das pessoas, pois não dependo disso pra decidir como conduzir a educação da minha pequena. Até tento explicar mas, a maioria parece não entender bem... Paciência. Tenho minhas convicções bem esclarecidas, se as pessoas querem conversar sobre o assunto, acho bem legal poder dar minha opinião, mas se não é o caso, eu sigo no que acredito e tá tudo bem. Eu acredito e defendo que a IA deve ser iniciada aos 06 meses de vida, bem como a amamentação exclusiva durante esse período, e continuada.

Mas e aí, quem tanto recomenda sascoisa?
Órgãos internacionais como OMS, UNICEF e o nosso Ministério da Saúde, já está de bom tamanho pra mim.
A recomendação para a IA aos 06 meses de vida não é feita a toa e tem várias razões que, todos nós (pais/futuros pais) deveríamos refletir antes de fazer uma escolha. É um período crucial para o bebê, se não acontecer de um jeito bacana, pode ser perigoso, e os reflexos de uma IA prejudicada podem ecoar pelos próximos anos de vida, podendo justificar problemas digestivos, uma alimentação desregrada e pobre em nutrição. Existem casos muito específicos para iniciar a IA aos 04 meses, mas entendo que não deve ser adotado como regra, ou até mesmo opção, se a IA pode ser iniciada aos 06 meses.  
Minha opinião
Enfim, já que tem tanta gente motivada, cheia de explicações e exemplos (segundo elas) de sucesso pra dar chazinho, papinha, carninha pra chupar e por aí vai - antes dos 06 meses, eu quis trazer motivos para esperar. 
Também uso as muitas recomendações para praticar o aleitamento materno exclusivo, porque na verdade uma coisa complementa a outra.
Nos arquivos do GVA eu me abasteci de informações que geralmente não ouvimos por aí e faço questão de reproduzir. Se esse assunto te interessa, acesse as fontes que estão no fim do post, as explicações estão bem detalhadas, para o blog, eu escrevi breves comentários.

1. O intestino do bebê precisa estar desenvolvido
Por volta dos 4-6 meses, o intestino está passando por um processo de maturação. Nesse período, secreta uma proteína que reveste o mesmo e protege de substâncias alérgenas. Isso significa que, o bebê está sujeito a ter alergias alimentares nesse tempo. O Aleitamento Materno exclusivo protege o bebê de infecções e também diminui o risco de alergias. 
Aos 6/7 meses, o intestino está maduro, e portanto, capaz de filtrar substâncias alérgicas mais ofensivas.

2. Bebês jovens tem reflexo de propulsão da língua
Esse reflexo é um tipo de auto proteção para o bebê, contra engasgo. O mecanismo digestivo ainda é imaturo, quando uma substância incomum é colocada na boca do bebê, automaticamente a língua empurra pra fora. Entre 4-6 meses o reflexo diminui aos poucos, dando tempo necessário  para a maturação.

3. O mecanismo de engolir do bebê é imaturo
A língua e o mecanismo de engolir precisam funcionar juntos. O bebê ainda não sabe controlar, direcionar a comida, só sabe sugar. Esse processo será ajustado por volta dos 5-7 meses de idade.

5. Bebês novos não são capazes de mastigar
Acho que não é preciso explicar muito! Os dentinhos raramente aparecem antes dos 6 meses. E seguindo o comentário acima, os bebês mais novos só sabem sugar. Basta observar.

6. Bebês com mais de 6 meses gostam de imitar pais (ou quem cuida deles)
A curiosidade está plenamente desperta, e a vontade de fazer tudo o que eles veem os pais fazer vai contribuir para o início da alimentação.

--

Isso me basta para embasar minhas decisões. O pediatra da Carol liberou as primeiras comidinhas aos 05 meses, mas eu optei esperar. Apesar de achar que ele poderia (deveria) apoiar o aleitamento exclusivo até os 06 meses, teve uma coisa que ele disse, e eu concordo totalmente:

Papinha não é o alimento.
Alimento é o Leite Materno.

Ele quis dizer que agora, a Carol vai começar a comer, aprender a mastigar. Eu, endosso dizendo que ela vai experimentar, conhecer e gradualmente a alimentação dela será modificada. Não tenho que me preocupar se ela vai demorar pra aceitar, ou se vai comer pouco. Muito menos, fazê-la engolir uma pratada de frutas. Os sólidos não entram como a refeição assim de primeira, o Leite Materno continua a ser principal alimento dela.

Enquanto  nós esperamos o grande dia da Carol começar seus experimentos gastronômicos, eu continuo me enriquecendo de informações valiosas, que me preparam para a introdução alimentar dela. 
Tenho acompanhado o blog As Delícias do Dudu e participado do grupo no facebook Alimentação Consciente. Ainda vou falar mais sobre o que tenho aprendido e como vou aplicar mas, já indico de cara! Só coisa boa, e tem receitas bem legais. 


Foto tirada em 08/09/14

Ai... minha pequena tá crescendo!


Fontes:












01 setembro 2014

E a casa, como é que fica?

No primeiro mês de vida da Ana Carolina, eu tive ajuda intensa em casa, meu esposo tirou férias, minha sogra esteve aqui quase todos os dias, minha mãe e minha avó vieram também. Quando o  mês terminou, o Edu voltou ao trabalho, as visitas começaram a ficar mais espaçadas e eu, tive que dar início à adaptação da nova realidade aqui de casa: Mãe de uma bebezinha e Dona de Casa em período integral.

Mas vou te falar a real: Nunca mais peguei a casa pra limpar.

Minha sogra vem faxinar uma ou duas vezes por mês. É uma santa ajuda, pensa numa mulher que tem talento pra organização! Às vezes, eu passo o dia fora e quando eu chego em casa, alívio é a palavra que me define ao ver tudo limpo e organizado. Daí eu faço um propósito "vou manter a organização". E te confesso que isso não dura muito tempo... Mas estamos progredindo.
Os dois primeiros meses eu passei sentada ou deitada com a Carol. Mal conseguia comer. Era eu deixá-la e ela chorava alto. Eu ia negociando com ela, tentava fazer dormir pra poder almoçar, ou se ela não queria dormir mesmo, eu conversava com ela e tentava comer em 5 minutos (porque a moça era exigente e eu não sou adepta de educar a criança a base do 'deixe que chore'). Esperava o Eduardo chegar morrendo de fome, sério! E pra ir ao banheiro? Bem, às vezes não tinha jeito, ela chorava e eu ia mesmo assim, fazer o quê?! Enfim, não me arrependo de nada e estamos muito bem hoje.

O que eu posso dizer pra você que ainda não é mãe, ou que está gestando seu rebento pela primeira vez?

Não se assuste. Com o tempo isso melhora! Os bebês vão adquirindo habilidades e aos pouquinhos 

(sim, em negrito porque a gente precisa ter bem claro que, quanto ao desenvolvimento e aprendizado, é a gente que se adapta ao ritmo dos bebês, não eles ao nosso; Nós direcionamos e ensinamos com carinho e paciência, respeitando o tempo da criança. Isso significa que eles podem demandar um tempo maior do que imaginamos),

passam mais tempo ocupados e as mamães conseguem dar umas escapadas rápidas pra comer, ou fazer qualquer coisa. 
No 3º mês, eu voltei a fazer algumas atividades em casa, cozinhar, passar uma vassoura, por roupa pra lavar, dobrar... Não com regularidade, foi bem de leve mesmo. 
é de leve até agora, haha
Hoje, com quase 6 meses, estou conseguindo manter uma certa ordem em casa. Lavo mais louça do que antes, cozinho um pouco mais, consigo dar uma varridinha, passar um paninho no banheiro... Dou aquela tapeada, sabe? E o serviço pesado continua terceirizado.

 E aqui eu deixo os meus PARABÉNS às mães que conseguem fazer tudo e cuidar de filho pequeno, sem precisar de empregada ou ajuda familiar. Vocês são SUPER!

Bem, é claro que eu ainda não consigo manter uma regularidade, tem dias (e não são poucos) que a Carol não me deixa por nada nesse mundo. Na verdade ela ainda é assim. Normal né, minha pequena nem completou 6 meses. Mas eu tenho visto a rotina ficar mais flexível.

Bem, para deixar a casa mais alinhada, eu tive que adotar dicas, e mudar alguns hábitos. Sinceramente, não consigo seguir tudo religiosamente mas, os novos costumes estão incorporando cada vez mais à nossa rotina e o resultado tem me deixado bem satisfeita. Quero comentar do que tenho feito na minha casa, pode ser que ajude alguém! :)

1º Não durmo sem limpar a cozinha
Comprove: Toda a sua casa pode estar suja e bagunçada, mas se a cozinha estiver limpa... É meio caminho andado. Então eu adotei essa regra.
  E eu já quebrei ela e por isso comprovei que é realmente importante que eu a mantenha, faz toda a diferença!
Gente, acordar com a cozinha suja, me dá mau humor. Me estressa de verdade. Prejudica a rotina do dia, desanima, atrapalha na hora de cozinhar, atrasa a limpeza da casa (ja até de desistir de fazer comida algumas vezes por causa disso e acabei comendo porcaria), ferra com tudo.
Acordar com a cozinha limpa... É a mesma coisa que acordar com a alma lavada. Me sinto tão bem! Aí eu me animo de fazer um café da manhã decente, pegar a vassoura... Tudo rapidinho, mas pelo menos, consigo fazer um pouco mais. Melhor do que nada.


Veja cozinhas piores aqui e seja estimulada a limpar! :P 

2º Se precisar, limpo a casa à noite
E na verdade eu preciso fazer, pelo menos uma vez na semana. Como já expliquei, a Carol até hoje exige muito de mim. E eu não nego colo pra minha pequena de jeito nenhum. Então o melhor horário acaba sendo quando ela e o pai estão dormindo. Soneca do dia não resolve muito, até porque agora ela dorme pouco. A noite é melhor, porque não sou interrompida. Com cuidado, sem fazer muito barulho consigo adiantar bastante, e deixo alguma coisa pra fazer durante uma folguinha que ela me dá. Sei que isso soa cansativo, mas ultimamente prefiro dormir tarde, cansada e acordar com a casa organizada, depois descanso com ela. É o mesmo esquema da cozinha, me sinto super bem só de olhar tudo no lugar quando acordo. E fica mais fácil de manter durante o dia. Estou sempre tentando ganhar tempo. Quando acordo e vou pra cozinha tomar café, ou tenho que fazer outra coisa, primeiro eu vejo se tem roupa pra lavar. Se tiver, eu separo e coloco a primeira leva na máquina de lavar, daí eu faço outra atividade, ajustando com as sonecas da Carol, ou "negociando" com ela acordada mesmo. Assim, vou encaixando e dando baixa nas tarefas.

3º Cozinha prática
Voltamos pra cozinha! O coração da casa. 
Se você me segue no Instagram, ou já reparou nas fotos do dia que aparece na lateral do blog, viu que tenho postado fotos dos alimentos que preparo. É um esforço que tenho feito para comer melhor e emagrecer com saúde. Não é dieta, lactantes não podem fazer restrições assim, muito menos sem orientação profissional, mas também não precisam sair comendo tuuuudo por aí, não é? Mas deixo esse assunto para outro dia...
 Para que eu consiga cozinhar, preciso organizar e acelerar o tempo/processo de preparo dos alimentos. Então eu passei a lavar, secar e armazenar na geladeira saladas e legumes.Em potes de vidro é o mais recomendado, mas eu uso plástico também. Tenho um pote grande que eu uso pra fazer mix de folhas verdes, é bem legal porque assim eu como variedades e as saladas duram até 2 semanas! Geralmente eu faço os legumes na hora, mas alguns dá pra adiantar, tipo o brócolis, faço a vapor no microondas em 2 MINUTOS. Sério! Fica verdinho e crocante. Só lavar, arrumar num pote, tampar com um prato e colocar no microondas. Geralmente, tenho pimentão cortado também. Aí eu faço uma carne rápida, tempero uma porção de feijão se tiver cozido (descongelo ambos durante a noite ou tiro do freezer bem cedo), isso se não tiver sobras do jantar, um arroz se eu quiser, ou outra coisinha e pronto.

Exemplo de porção de salada pronta para consumir, via  

Mas só o processo de lavar saladas e preparar alguns legumes adianta muito o almoço/jantar! E com a carne descongelada, posso grelhar rapidinho, ou fazer refogado, não demora muito. Estou me alimentando bem melhor e com mais criatividade. Ter variedade na cozinha me deixa animada também! Eu monto a salada na hora, mas se você tiver potes/vidros em quantidade suficiente, pode montar porções de saladas para a semana inteira, como na foto acima. Tempero na hora de comer. Dá um trabalhinho, mas a gente precisa escolher e se esforçar pelo que é mais saudável né colega?! Também tenho me empenhado no reaproveitamento dos alimentos. Tem gente que não suporta comida requentada. Eu não sou assim, rigorosa, mas com um pouco de criatividade e/ou pesquisa, tenho descoberto maneiras e me inspirado para consumir as sobras com muito prazer. Experimente fazer umas misturinhas aí!


No mais, tento seguir dicas básicas como "tirou do lugar, devolva em seguida" mas, como eu vivo em função da Carol, ainda acabo largando as coisas. Agora, largo menos. rs!
É evidente que nós mamães precisamos de ajuda. Ficamos felizes e agradecidas quando nossas visitas se oferecem pra ajudar em algo. E antes que eu me esqueça, os papais, filhos maiores e outros moradores da casa devem ajudar também! Mas acredito que aos poucos podemos reassumir o posto e não deixar a peteca cair. Sem pressão, com equilíbrio. Afinal, é o nosso lar. ♥ 

23 agosto 2014

1 ano atrás

Nós descobrimos que tinha um neném na minha barriga.
Já existia uma desconfiança mas, sei lá, acho que um medo bobinho não me deixou fazer o teste de gravidez antes. Eu sei, vai entender... Medo de descobrir a coisa que eu mais quis na vida?! Pensando bem, eu já pensei que estava grávida tantas vezes, não queria lidar com mais um negativo.Foi engraçado como aquele dia começou. Nós estávamos indo para o trabalho. Conversando no carro, fazíamos aqueles 'planinhos' de casal, sabe?

Me lembro do Eduardo comentar algo do tipo:
"Quando a gente pagar isso e aquilo, vamos comprar mais isso e um computador".

E a minha resposta foi profética:
"Acho que vamos ter que comprar outras coisas agora"...

A gente se olhou com aquele sorriso de "alguma coisa vai acontecer, mas já sabemos o que é". Fizemos a última vista grossa para o assunto e fomos trabalhar. Mas...(!) Que mulher consegue deixar um assunto como esse pra lá? Passei o dia martelando a possibilidade de estar grávida. À tarde, eu conversava no chat com uma amiga que estava grávida e desabafei com ela. Pronto, a Gi colocou a pilha que faltava.

Então, eu e meu marido decidimos fazer o exame de uma vez. Ele pesquisou se existia um laboratório express (e tem sim, no centro de Curitiba). Com endereço na mão, mandei um SMS para o meu chefe, explicando que precisava ir e saí correndo do escritório. Quase perdi a hora. O resultado saiu em 20 minutos. Esperei o Edu vir me buscar para abrir o envelope com ele.

Nossa vida já estava mudada.


Nós compramos flores para noticiar as novas avós do pedaço e seguimos para um final de semana de muitas comemorações. No dia seguinte, eu senti os primeiros enjôos. Grávida mode on

Quando me lembro desse episódio tão especial, fico pensando... Quanto poder existe na vida?!
A notícia de uma gravidez tem um impacto tão grande... É um tsunami. A onda não pega só os pais. Molha todo mundo. E sobre essa onda de ser uma família, é tão bom ser pego de surpresa,  é tão gostoso se molhar... 
Dia 23 de Agosto de 2013 está marcado no nosso calendário pra sempre. O dia que descobrimos que já não éramos mais um casal, e sim uma família.♥
De agora em diante, esse dia terá um sabor melhor ainda. Nesse ano, podemos desfrutar desse corpinho cheio de dobrinas, dos sorrisos, das gostosuras, de tudo que envolve e da própria Ana Carolina. 
A vida surpreende.

Ensaio da Gestação da Carol, 30 semanas

Se você quiser conhecer um pouco mais sobre nós acesse o meu Perfil e o Primeiro Post do blog. 

19 agosto 2014

Meu bebê tá chupando o dedo!

Quando a Carol completou 3 meses, suas atividades começaram a ficar um pouco mais dinâmicas - ao ritmo dela. Nós seguíamos felizes e eu estava bem confortável >>> ATÉ O DIA QUE ELA COLOCOU O DEDO NA BOCA. Não escondi meu descontentamento. Era hora de dormir quando ela fez o tal gesto proibido. Lembro do Edu falar alguma coisa do tipo "iiiii vai chupar o dedo!" E eu lamentei em bom tom "AH NÃÃÃÃO"!

define meus sentimentos 

Num ato desesperado, tirei o dedo da boca dela. Dei mamá em seguida e tratei de fazê-la dormir. Sinceramente, acho que nunca fiquei tão perturbada com alguma coisa da Carol desde que ela nasceu. Nada do que ela fez me incomodou, até ela começar a chupar os dedinhos. Lembro de ver a Carol e o pai dela dormindo e eu sem sono, chateada, preocupada feat. bolada com a situação.
Falava com meu eu interior, me questionava sobre os probleminhas que isso poderia trazer.
Bem;

• Sobre chupar o dedo, as pessoas me dizem:
a começar pela família (normal), depois os amigos e depois as colegas que a gente conhece na sala de amamentação do shopping
Tem que pegar a chupeta!
A chupeta você tira depois, mas e o dedo?
Mais fácil que pegue a chupeta!

• E eu digo "Ela não quer pegar a chupeta", mas eles perseveram:
Mas você insistiu? Tem bebês que levam meses pra pegar!

• E eu respondo "Mas eu não quero que ela use"
(x) me olham como se eu fosse doida
(x) me contam uma história difícil do tipo "Fulano chupou o dedo até os 15 anos"
E eu mesma conheci uma pessoa adulta que chupa o dedo.

Passado o primeiro susto, eu corri para os arquivos do GVA e fiz busca em outros sites, procurei opinião profissional, relatos de mães, estudo, qualquer coisa sobre o assunto. O que eu não esperava era ser confrontada por esta pergunta:

Será que chupar os dedinhos é tão ruim assim?

Bem, faça uma pesquisa rápida e você vai levar uma enxurrada de afirmações que deixam qualquer mãe de primeira viagem no mínimo preocupada.
Tá aqui o print:



É isso que nós (sociedade) estamos aprendendo a décadas, não é? Que chupar o dedo é péssimo, que esse hábito pode ir além da primeira infância (e é possível mesmo), que dentição pode ser prejudicada, a alimentação, o relacionamento com as pessoas... Tá bom, tá bom! Eu sei que isso faz sentido e é realidade pra muita gente.
Depois de dar de cara com tanto diagnóstico ruim, eu encontrei algumas orientações interessantes. No site da Sociedade Brasileira de Pediatria, o clima é bem diferente.
Antes da gente falar que chupar o dedo é superrrr negativo, dar ponto pra chupeta e tudo mais;

Porque não ouvimos primeiro que o bebê chupar o dedo é NATURAL e FAZ PARTE do seu DESENVOLVIMENTO ORAL?

Porque a gente tem que dar de cara com tantos artigos/comentários que nos deixam preocupadas(os) pra depois achar um que indica que isso não é o fim do mundo?

Cacilda!

Não é novidade que a sucção é uma necessidade do bebê. Desde o ventre os bebês chupam o dedinho. Esse comportamento é instintivo, esperado, que serve para firmar a musculatura do rostinho, preparando para mamar. E um bebê que chupa o dedo dentro da barriga, provavelmente irá fazer a mesma coisa quando estiver fora.
Do lado de cá, o dedinho ganha novas funções: 
> coçar gengivinha; 
> ajudar o bebê a se manter controlado diante de uma situação nova/difícil; 
> fome;
são alguns exemplos.

Profissionais especializados no assunto concordam que o dedo é anatômico, de textura agradável e tem a temperatura certa. É o mordedor preferido dos bebês (em geral). Como todo mundo sabe, o aprendizado dos bebês se dá pelos 5 sentidos e para eles é fundamental levar tudo à boca. É assim que eles descobrem, experimentam e compreendem as coisas ao seu redor!

Li algumas reflexões de  alguns desses profissionais(dentista, odontopediatra, fono) e encontrei uma opinião em comum: Ao receber bons estímulos principalmente em períodos importantes como o nascer dos dentinhos,  o início da mastigação; a tendência é que os dedinhos sejam esquecidos. Aliás, a maioria dos bebês deixam de chupar o dedo naturalmente, quando ainda são bem novinhos.

Mas aposto que tem gente questionando assim: E quanto às crianças que viciam no dedinho e carregam o vício por anos e anos? Hein, Laís. Hein? Hein? Hein?
Bem gente, pode acontecer, eu estou bem consciente disso. 

Se o hábito avançar (a partir dos 2 anos de idade), é preciso que os pais busquem ajuda profissional. Os pais precisam observar seus filhos, o comportamento, atitudes e reflexos. Se os pais não conseguirem entender o que acontece, um profissional capacitado poderá ajudar a entender e buscar uma solução. 

   

--

Voltando ao meu episódio

Primeiro, me estressei um monte, depois começei a assimilar as coisas.
E só assimilei, porque eu fui atrás

Eu quis entender porque significa tanto para o bebê chupar os dedinhos - e descobri que significa muito. Diante de tantas informações novas e relevantes, eu me vi num processo de compreensão. 
Aos poucos, fui deixando esse pavor de lado e buscando formas de influenciar minha filha positivamente. Não, eu não quero vê-la chupar o dedo quando estiver mais crescida. Mas agora eu busco entender o que ela quer dizer quando coloca o dedinho na boca e correspondê-la da melhor maneira possível. Hoje, eu percebo que a Carol não chega a sugar o dedinho, ela mastiga. Mas e aí, como lidar?
É válido que a gente dê alternativas nessa hora. Assim que ela leva o dedo à boca, eu ofereço o peito imediatamente, pois quase sempre é o que ela quer. 
Se ela não quiser mamar, eu ofereço um brinquedinho, levo a atenção dela para outra coisa. Mas às vezes, ela quer dar a mastigadinha prazeirosa, simples assim. Demorou pra eu entender esse 'simples assim', mas agora, acho que entendo.
Porém, não gosto que isso aconteça por muito tempo, então, com carinho e sutileza, eu redireciono sua atenção. 
Meu foco é mantê-la saciada. Do contrário, ela pode sim se apegar não só ao dedo, mas a qualquer coisa (chupeta, paninho, brinquedinho...) E é por isso que eu não vejo vantagem em achar que chupeta é melhor que o dedo, ou o paninho, ou a cobertinha ou qualquer outro objeto. Não acredito nessa substituição. Apesar dos pais terem o poder de tirar a chupeta (ou outra coisa), a maioria das crianças sofrem com isso e elas se quiserem, podem sim se apegar a outra coisa, ou até começar a chupar o dedo. 

Hoje, não vejo mais o dedo como um grande vilão, sabe? Eu entendo e agora consigo aceitar que esse comportamento enquanto ela for bebê. As pessoas costumam contar sobre alguém que chupou o dedo por muito tempo. Mas sinceramente, ao longo desses 25 anos, consigo me lembrar apenas de 2 pessoas que tardaram nesse hábito. Isso me serve não para defender o costume mas para me tranquilizar.
 Não sei como isso vai terminar, a Carol só tem 5 meses. Mas até agora estamos indo muito bem. Ela não passa muito tempo com o dedo na boca e a amamentação - ao contrário do que eu imaginava -  está melhor ainda, pois estimula a livre demanda, a saciedade dela e ajuda a garantir o ganho de peso saudável.  Mas a verdade é que muitas pessoas próximas a mim não aceitam, não entendem bem a minha 'tranquilidade' sobre isso. E eu sei que pra elas isso é difícil, pois também foi pra mim um dia. Eu entendo que na verdade, as pessoas (principalmente as próximas) querem ajudar. Mas defendo que ajudaria mais, se as informações reais fossem mais divulgadas, pra todos nós.

Hey mãe

Meu objetivo não é apontar o que é melhor ou pior. Não posso me intrometer na decisão de outros pais com relação aos seus filhos. Não incentivo o uso de chupeta, nem chupar os dedinhos. 
São decisões bem pessoais e a gente precisa se respeitar. Mas eu quis contar como nos resolvemos com isso, pois, quem sabe alguém aí também queira ir pelo mesmo caminho.
A minha experiência com a Carol, por enquanto tem sido tranquila e bem conduzida. Só que eu não posso falar que o que a gente pratica é lei, porque os filhos não são maquininhas com manual de instruções, cada filho que nasce no mundo, é uma surpresa única para essa terra. Mas eu respeito as opiniões contrárias, da mesma forma que eu desejo ser respeitada.

Quero chamar a atenção para a forma que a nossa cultura conduz o assunto. Sinceramente, não gostei e não gosto  da maneira como as pessoas reprovam e despejam os malefícios que chupar o dedo causa. Primeiro, pela falta de informação e pela generalização de experiências pessoais ou de terceiros. E segundo é que mesmo sem querer, esses comentários acabam disseminando um medo desnecessário. Como eu já disse entendo o incômodo, porque somos ensinados a condenar esse hábito, mas a repulsa é tão grande, que as várias pessoas não conseguem se conter. Afirmo, porque já lidei com isso e sei que ainda vai acontecer mais vezes.
As consequências vão surgir se o hábito persistir, avançaros anos da primeira infância. Aí, sim o problema se torna realmente um problema. Enquanto a criança for apenas um bebê, não. Isso é informação comprovada, não é achismo.

Esses dias, eu passeava pelo grupo fechado do GVA no Facebook e li o relato de uma mãe desesperada, porque seu filho não largava o dedo de jeito nenhum, nem pra mamar e isso estava prejudicando os dois. O que me chamou a atenção, foi que ao invés dessa mãe receber uma tonelada de comentários negativos, ela foi abraçada. Explicaram pra ela que existem períodos que o bebê pode querer chupar mais, deram força, apoio, dicas; E tranquilizaram ela, explicando que isso é fase e que vai passar. Aquela mãe se sentiu acolhida e renovada para seguir lidando com a situação.
Essa atitude me ganha. :)


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Se você leu esse texto até o fim, eu recomendo esta leitura, mil vezes melhor e mais completa:


* Agora eu tô numa moda de fazer video da Carol com apps de celular. Clique aqui e veja a mocinha fazendo o que gosta. ;)


11 agosto 2014

O 4º mês da Carol

Mais um dia 13 se aproxima.
Estamos nos despedindo do 4º mês da Ana Carolina. mimimi




Acho que a vida está mais divertida pra Carol.
Porque agora ela acha engraçado soltar pum

Ela vem se mostrando cada vez mais esperta... E foi nesse mês que ela começou a  esboçar as primeiras risadinhas e conversinhas de verdade, ainda não gargalhou pra valer, mas a gente consegue perceber a vontade que ela tem de se expressar. Agora quer ficar sentada ou em pé, e claro, quer olhar tudo; Se a gente coloca ela deitada, faz esforço pra levantar, mas ainda não senta sozinha, é claro. Aos poucos os dedinhos estão assumindo a função, ela pega algum objeto mas solta em seguida. Continua babando, mas por enquanto nenhum sinal de dente. Começei a sair com ela pra andar um pouquinho pelo condomínio, mas como estamos nos inverno, ainda não consigo fazer isso todos os dias.

Cuidados
Dessa vez nós conhecemos uma reação diferente quando ela tomou vacina. No dia seguinte à aplicação foi mais complicado. Estranhei já de madrugada, ela mamou pouco, de um jeito estranho e acordou com um humor mais ou menos.
Foi o pai dela sair e a moça desandou a chorar HORRORES. Vomitou HORRORES. Coriza HORRORES. Nada acalmava e eu ali, tentando parecer tranquila pra ela... Até que não aguentei e senti de novo o mesmo desespero dos primeiros dias de vida. Liguei para o meu marido nervosa, não consegui responder todas as perguntas dele e chorei. Ele saiu do trabalho correndo (mal tinha acabado de chegar) e veio ver a gente. Eu realmente precisava dele aqui. E ele tem um jeito todo especial de acalmá-la. Pegou a pequena com jeitinho e foi conversando, dando carinho.... Até me emociono só de lembrar. Carol devidamente acalmada, nós seguimos pra casa da minha mãe e fiquei com ela o dia todo. Porque eu também precisei de colo. 
Carolzinha passou o dia mais tranquila, porém toda sentimental, exigente de colo, chorosa e dorminhoca. Quando fomos pra casa, percebemos que ela estava sonolenta e quentinha demais..

A primeira febre
Ana foi às lágrimas de novo. Vomitava e não aceitava remédio nenhum. Aí eu parti para a solução caseira: Chuveiro. No banho  ela se acalmou consegui medicá-la. Depois do banho ela estava bem melhor. No dia seguinte, ela acordou bem mas passou mais tempo dormindo.

Confesso que me arrependi de medicar a Carol, até porque não foi uma febre severa e acredito que só banho + peito + colo foi suficiente. Pior é que já li N vezes: Remédio, é a última opção. Particularmente, eu não gosto da ideia de medicar os bebês com frequência mas, essa experiência diferente com a reação da vacina, nos deixou bons aprendizados.  
Junto com a vacina, ela passou pela Salto de Desenvolvimento dos 4 meses e meio. Tadinha.
É aquela coisa já esperada. Acordou mais vezes à noite, mais mamá, mais colo, mais chorinhos... Não é um período fácil para os bebês, temos que ser pacientes.
No fim desse mês, tive uma ótima surpresa: a Candidíase sumiu! Bumbum limpinho outra vez! Espero que não volte mais.

Episódio da vacina à parte...

O PRIMEIRO DIA DOS PAIS
Foi um domingo lindo. Nós fomos à Igreja no Cinema pela manhã, para agradecer a Deus por tudo.
Depois, passamos o dia todo em família, com muita comida boa, café com pão, bolo, gente amada. O Edu tem desempenhado seu papel maravilhosamente bem. Dedicado, carinhoso, divertido... Ele dá o melhor de si pela Ana Carolina, pela nossa família todos os dias.




Foi um mês muito gostoso. A gente passeou muito em família e a Carol responde bem aos estímulos que damos a ela. Antes, a gente saía um pouco preocupados, sem saber como seria a reação dela nos lugares, mas agora estamos aproveitando mais. Sempre que saímos, comemos em algum lugar. E ela sempre acorda na hora de comer, hahaha! Mas acho que já estamos acostumados com isso. São pequenos detalhes. Importa é vê-la feliz. E ela está. Cada vez mais brincalhona.... Será que vai andar rápido? Enquanto esse dia não chega, a gente segue curtindo nossa pequena.

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Divulguei um pequeno video no Facebook que mostra um pouquinho da Carol e suas principais descobertas desse mês, a voz. Clique Aqui e acesse!

04 agosto 2014

Amamentação: Os hormônios que fazem acontecer

[continuação do post 'Livre Demanda, Produção e Controle da Composição do leite Materno']
Hoje, encerro a minha primeira conversa sobre Amamentação, com algumas curiosidades! Não que você seja obrigada (o) a saber.... Mas se souber, melhor pra você! São informações como estas que nos ajudam a compreender melhor o corpo feminino.


Quando a mulher fica grávida, além de gerar o filho, o corpo se prepara para amamentar. Esse preparo é chamado de Lactogênese, divido em períodos específicos. Na Lactogênese fase I (durante a gestação), vários hormônios agem durante a gestação preparando as mamas para a amamentação. Por exemplo, ocorre a liberação de Estrogênio (que faz a ramificação dos ductos lactíferos), Progestogênio (formação de lóbulos), Lactogênio placentário (crescimento mamário), a Prolactina e outros.

Mas deixa eu te falar que

* A produção de leite acontece graças a Prolactina!
Apesar desse hormônio  aparecer em várias fases desde a gestação, quero destacar que  o estímulo dele é fundamental para o leite materno ser produzido. Uma grande quantidade de prolactina é liberada após o nascimento do bebê dando início à Lactogênese fase II e a secreção do leite.


*Como é possível o leite sair? Sim.... Pela sucção do bebê. Mas o que muita gente não sabe é  que a sucção faz mais! A sucção libera um hormônio que faz os alvéolos se contraírem e o leite ser ejetado. O mesmo também é liberado em resposta a estímulos condicionados: visão, cheiro, choro, emoção... Que hormônio é esse?

♥ OCITOCINA! ♥
Sim, o hormônio do amor!



Após da descida do leite (geralmente até 1 semana após o parto), a Lactogênese entra na fase III e se estende por todo o período da amamentação. Depende da sucção do bebê e do esvaziamento das mamas. Se as mamas não forem esvaziadas, a produção é freada através de uma inibição mecânica ou química. Existem substâncias chamadas "peptídeos supressores da lactação", que farão essa inibição acontecer e a produção de leite cair. Esse é mais um motivo para explicar a importância da amamentação, se o bebê mama regularmente (e principalmente, em livre demanda), a reposição total do leite está garantida.
A prolactina atua de maneira ritmada, com pulsos de produção durante à noite e apoiada pela sucção (estímulo de ocitocina). Se a mãe não amamentar em 2-3 semanas, os niveis básicos de prolactina cairão para os índices anteriores à gravidez.

E isso minhas amigas, quer dizer que, se queremos sucesso nessa fase, não importa a situação; 
NÃO PODEMOS PARAR DE AMAMENTAR!!!


Bem, acho que essa é a maneira científica de explicar que amamentar é uma coisa tão maravilhosa e necessária. Enquanto as mães oferecem o peito aos seus bebês, seus corpos são bombardeados por ocitocina, que produzem uma das melhores sensações do mundo. É por isso que nos sentimos as melhores que podemos ser, quando vemos nossos bebês tão satisfeitos em mamar. Aquele agonia que a gente sente ao ouvir nossos filhos chorarem, uma vontade louca de pegar eles no colo levar pra longe de tudo e acalmá-los com o nosso colo e nosso leite... É a ocitocina que corre e grita até que a gente tome uma atitude. É o corpo que atende ao chamado do bebê que foi para fora. E esse corpo agora trabalha numa força tarefa mais que especial, para garantir a nossa capacidade de alimentar, proteger e viabilizar momentos tão preciosos...

Amamentar é amar.

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Fontes:

31 julho 2014

Amamentação: Livre Demanda, Produção de Leite e o Controle da Composição do Leite Materno

[continuação do post 'Amamentação: Quando me livrei do relógio' ]
Hoje, 3 coisas que mudaram a nossa maneira de entender o ato de amamentar.


1. O conceito de Livre Demanda:

Li o resumo de um capítulo do livro Un Regalo Para Toda La Vida, escrito pelo famoso pediatra espanhol, Dr.Carlos González. Ele explica que essa história de marcar o tempo e intervalos entre as mamadas é uma invenção moderna. Historicamente, a livre demanda era uma prática simplesmente comum entre as mães, recomendadas pelos médicos ou sem nenhuma recomendação, já que amamentar não era doença, então não era assunto muito discutido. No século XX, os médicos começaram a recomendar horários, mesmo assim, não eram seguidos. E de uns tempo pra cá, as visitas ao pediatra começaram a se tornar regulares e o novo conceito começou a ser aderido culturalmente e hoje é difundido amplamente pelos nossos pais, avós, tios, vizinhos, outros parentes, hospitais...

Particularmente, acredito que a partir do momento em que começaram a divulgar a ideia de criar a rotina para bebês, o objetivo de 'liberar' um pouco os pais, diminuir o cansaço, salvar casamento... As coisas se misturaram.  Veja bem, eu não me oponho à rotina. A gente se dá!  Só que, o que eu percebo é que o conceito de LD ficou embaraçado e ainda é erroneamente confundido com os horários pré definidos. Segundo o dr González,  isso não se encaixa com LD, são horários flexíveis. E ainda, existe a ideia da 'cultura idependente' para os bebês e eu acho que tudo isso acaba complicando de certa forma.

Em resumo, Livre Demanda é:

Amamentar com liberdade.

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- Oferecer o peito várias vezes;
 - Não marcar tempo;
 - Não determinar horários para as mamadas;
 - Não se preocupar se faz 5 minutos ou 1 hora que o bebê mamou e agora quer de novo, tanto faz;
 - Satisfazer a necessidade de succção /alimentação;
 - Não esperar o bebê chorar de fome. O choro é um sinal tardio de fome;
 - Não só quando o bebê quer...Mas quando a mãe quer também.

Livre Demanda é tipo... LIVRE! hahaha! Abundante! É nessa liberdade que eu entendi quão bom é amamentar minha filha. É assim que ela sabe que pode se achegar a mim sempre que quiser e precisar. Não existe horário marcado para ter o meu colo, meu leite, nem tempo de duração. 
Os benefícios são inúmeros. Se me pedissem para escolher dois motivos para praticar LD, seria difícil pra caramba... Mas acho que escolheria estes:

♥ É a melhor maneira de garantir a produção de leite;
 ♥ É a melhor maneira de garantir o desenvolvimento e ganho de peso do bebê de forma saudável.

Tudo o que as mães querem, não é ?!

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2. Como funciona a Produção de Leite Materno:


[Pausa]
Ninguém sentou comigo para ensinar essas coisas. Talvez você pense: 
"Mas não seria mais fácil apenas amamentar? Muita teoria pra algo tão simples!" 
Eu acredito que sim, se amamentar fosse realmente uma prática valorizada e incentivada honestamente. 

Numa cultura como a nossa, em que o uso de bicos e leites artificiais é incentivado massivamente - e por consequência o desmame precoce - precisamos de mais motivos para dar o peito. O natural  foi esmagado pelo artificial e hoje as pessoas precisam ser convencidas de que apenas leite humano é suficiente para o bebê de 0-6 meses, por exemplo.     

 Escolhi 5 pontos sobre a produção de LM, que se todas as lactantes tivessem em mente, seriam mais confiantes e com certeza amamentariam mais.

- A primeira coisa que a gente precisa ter em mente é que não temos uma quantidade de leite estocado nas mamas e que isso vai acabar um dia. Nós temos uma fábrica de leite materno em nós e essa fábrica funciona o tempo todo, principalmente em LD - aí ela funciona melhor ainda.

- A segunda, é que grande parte do leite materno é produzida NA HORA DA MAMADA (cerca de 80%); 

-  A terceira, é que a sucção do bebê regula a produção de leite materno;

- A quarta, é que uma dieta equilibrada e a ingestão de líquidos, auxilia na produção de leite;

- A quinta, é que situações adversas como estresse, dor, desconforto, insegurança, medo... Podem afetar a produção de leite. O bebê que não mama também ---> a produção diminui.

Algumas considerações:
Que o LM é o melhor alimento e o mais completo para o bebê todo mundo sabe. Mas acho legal apontar que ele faz mais. O LM protege o bebê de alergias, doenças, tem ação imunizante, facilita a digestão e pode sim ser considerado um tipo de remédio natural para o bebê. Leite fraco não existe e ponto final. Mas a alimentação da mãe é bem importante.

Uma pergunta clássica:
Mas porque existem bebês que mamam, mamam, mamam e não ficam saciados?

Um caso clássico:
Daí, a mãe decide dar fórmula e quase que imediatamente o bebê tranquiliza e dorme feito anjo.

Bem, vários pontos precisam ser analisados. Alguns:
- Esse bebê mama em livre demanda?
- Ele está passando por um Salto de Desenvolvimento ou um Pico de Crescimento?
- A mãe consegue amamentá-lo satisfatoriamente? A pega está certa?
- Ele consegue mamar?
- O bebê tem o 'freio' da língua curto?
- Chora durante a mamada? Fica irritado?
- Há sinais de refluxo?
- Existem outros sinais diferentes que parecem ser negativos?

De um modo bem grosseiro de dizer, o leite artificial é como se fosse uma feijoada. Ele é grosso, 'pesado' e assim como a gente fica super satisfeito de comer uma pratada de feijão, os bebês saciam-se imediatamente com LA. E o que acontece com a gente logo após de comer a feijoada? Dá uma canseira.... uma "soneira".... Os bebês sentem o mesmo e ca-po-tam. A explicação vale para os dois casos: O organismo todo foca em fazer a digestão. Uma grande quantidade de sangue é bombeado para o sistema digestivo poder trabalhar. E aí a gente dorme facinho!
O leite materno pode parecer ralo mas não é. Ele tem água suficiente para o bebê, o que torna dispensável a ingestão de chás, sucos e água (antes dos 6 meses principalmente!). Proteínas, lipídios, lactose, minerais, calorias são alguns dos componentes do LM. 
  
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3. O Controle da Composição do Leite Materno:
Isso foi uma das coisas mais legais que já aprendi na vida, quando eu achei que já tinha lido um monte, descobri que estava na ponta do iceberg.
 Eu já sabia que o bebê regula a quantidade de leite através da sucção. Daí eu aprendi que ele também controla a composição do leite que precisa no momento, pela forma de mamar.

UAU, vai dizer que isso não é impressionante?! E eu aqui achando que o bebê era passivo... Sabe de nada, inocente! 

Vamos lá:

Muito de nós ouvimos falar sobre 2 tipos de leite: o leite 'do começo' e o leite 'do fim'. O primeiro é mais fraquinho e o segundo mais 'forte'. Pois bem, a verdade é que:

- Não existem 2 tipos de leite, e sim que a quantidade de gordura (calorias) aumenta gradualmente durante a mamada. A concentração de gordura chega a ser  5x maior 'no fim' da mamada do que no início;

- O tempo se dá pela velocidade que o bebê mama. Pode ser que em 5 minutos ele tenha  mamado tudo o que precisa, bem como pode ser que ele precise de 20 minutos ou mais. Quando o bebê fica satisfeito ele pára. Isso significa que se a mãe tira o peito sem que o bebê queira, então é bem provável que ele não mamou tudo o que precisava naquele momento;

- Quanto mais o bebê mamar, maior será a quantidade de gordura ingerida, contribuindo para o ganho de peso;
[e a gordura que ficar no peito? Será diluída no novo leite]

- Passar para o segundo peito durante a mamada: É claro que a concentração de gordura será menor no início. Mas, se o leite não é o mesmo qual seria o melhor? Quando tirar de um peito e colocar no outro? Não sabemos. Não há como medir quanto mls de leite já foram tomados, o quanto de nutrientes tem nesse leite, ou melhor, o quanto o meu ou o seu bebê precisa em determinado momento, não sabemos com exatidão quanto de leite cabe no estômago do bebê... Não dá pra medir a velocidade da mamada... E muito menos relacionar a quantidade ingerida com o tempo, uns mamam depressa, outros devagar...

Resumindo, o que sabemos (comprovado cientificamente), é que os bebês dispõem de 3 mecanismos para modificar a composição do leite:
1. A duração da mamada;
2. A frequência das mamadas;
3. Mamar um peito ou dois.

Sim, os bebês decidem o quanto querem mamar, por quanto tempo e se vão mamar nos dois peitos ou apenas um.

 Depois de aprender tudo isso, eu relaxei e deixei fluir... E a Carol tem engordado super bem! Não preciso ficar preocupada, se estou 'entupindo' a Carol de leite ou se ela está mamando pouco, por exemplo.

Eu tentei resumir os conceitos ao máximo, são muitas coisas pra lembrar. Ao fim de mais um mês, o resultado na balança - um ganho de peso excelente - e uma bebê pra lá de esperta, confirmou nossa escolha como a melhor que poderia ser.

Hey mãe,
Quero destacar que eu tenho consciência da dificuldade que outras mães tem em amamentar. Muitas não conseguem/conseguiram como gostariam. Ainda precisam lidar com a pressão que muitas vezes vem da própria família, dos médicos e aos poucos vão desistindo. Eu seria muito errada em julgá-las. Mas eu também sei, que dificilmente uma mãe NÃO pode amamentar. Há casos e casos, que devem ser analisados com cuidado e diagnosticados com base em evidências. Meu objetivo aqui é trazer uma luz para quem está com dificuldade, para quem está se preparando para amamentar, conhecimento nunca é demais. Busque apoio, vá ao banco de leite, encontre uma consultora nutriz, faça pesquisa, entre em grupos como o GVA... Você é mais capaz do que imagina! Um abraço.